terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cansaço

O corpo pede descanso, mas a mente continua ativa e não deseja parar.
O corpo continua sem entender, amortecido, aborrecido, segue os comandos daquela que parece está com a razão.

Se sente fraco, oprimido, quer apenas uma folga, um minuto de alívio.

Mas na guerra a trégua pode ser fatal, o corpo não entende, mas a mente compreende e ordena para que se prossiga.

Sem remédios, sem cura, deseja-se apenas a paz, a mente sabe do seu desespero, que o corpo dolorido, abatido se entregaria facilmente, e desistiria sem antes mesmo tentar, por almejar tanto a paz, ele a aceitaria de todas as formas que lhe oferecessem, se alegria principalmente se encontrasse aquela paz duradoura, eterna e sem fim.

É uma batalha árdua em um único ser, o corpo enxerga somente o agora, as feridas que lhe machucam, a dor que sente, o ar que lhe falta.

A mente observa mais além, foca-se no prémio que está para alcançar, é o mais próximo dele que já chegou, e não é agora que vai parar, não é agora que vai entregar aquilo por qual tanto lutou.

Sem forças, o corpo conclui que a batalha está perdida, e se pergunta pra que continuar? E além disso, ele não pede muita coisa, quer apenas relaxar, sentir o prazer da calma se apossar dos seus membros e correr pelas suas veias, fechar os olhos e não ter que observar mais nada, fechar os olhos e se entregar totalmente a escuridão, tornar-se aliados, o corpo e as trevas.

Mas a mente resisti, e também sente-se afligida pelas dores, e sabe que precisa carregar todos e comandar tudo, todos já se entregaram, e ela leva sozinha o fardo que lhe deixaram...mas o prémio, o prémio está logo ali, e brilha, enchem seus olhos.

É o combustível para que ela possa continuar, ela não olha o sangue, não se concentra nas feridas, bloqueia a dor e prossegue para adquirir o seu desejo.

Apenas mais uns passos, continuem...é só o que sabe ordenar.

Ninguém a escuta, e ela prossegue em passos lentos, e sente o peso do mundo, mas sabe que tudo valerá a pena se tentar, a mente comanda e tem a certeza que se beneficiará.

A mente sabe que as pessoas não dão valor a trajetória, muitos desfalecem no caminho, e seus nomes são esquecidos, tanto esforço para serem enterrados na poeira.

Apenas alguns nomes serão lembrados e serão daqueles que suportaram as dores, que esqueceram os cortes, que não olharam o sangue. E serão daqueles que se negaram, as dores são iguais para todos, mas o foco é diferente.

A mente continua, pois possui apenas um único objetivo, maior do que tudo que já foi visto, a mente segue porque deseja apenas vencer.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Desabafo

O que eu sinto? Seria alguém capaz de decifrar ou de entender?
- Não, não seriam, pois são apenas sentimentos, e não textos, e não palavras, apenas sinto e não explico.

Esses sentimentos que mudam, se transformam, variam, é uma metamorfose, uma complicação.

Uma mistura de ódio e amor, desejo e repugnância.

Eu te queria?

- No passado sim, era concreto, hoje eu não sei, é apenas areia movediça.

Os dias se passaram lentamente e curaram a ferida que você causou, eu juntei os cacos que você quebrou.

Mas e a cicatriz?

- Ninguém apaga, ninguém muda, ela marca e acompanha.

Não queria as lembranças, não queria relembrar, pois se relembrar é viver, eu prefiro morrer.

Morrer, na tua ausência, na minha dor, que eu não sinto, não sinto mais, anestesiou.

Agora resta apenas a repugnância que sinto, que você me causa.

Mas mesmo que eu diga não, e negue a mim mesma, me pego pensando em ti, meus pensamentos me traem, ou seria o meu coração?

- O coração é traiçoeiro, e a razão é insana, eu não confio, não confio mais em você, não confio mais em mim.

Não é amor, eu não te amo, e talvez nunca te amei, eu não quero te amar.

E o que é o amor?

- Um segredo não revelado, um mistério sagrado, uma luz que produz sombras.

Sim as sombras, a única parte do amor que conheci, e foram dentro delas que te odiei, que te odeio.

O ódio?

Ele é a única certeza que tenho, daquilo que um dia eu senti, que um dia eu quis, que um dia eu fui, e é o que eu quero preservar, pois enquanto eu te odiar, terei certeza que não imaginei, ficará sempre evidente que um dia... um dia eu realmente te amei.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Um conselho

Cada desafio que enfrentamos, exige de nós uma estratégia, e são elas que nos levará a vitória.
Viver a vida sem medo.

E isso será possível? Será que podemos viver sem pensar no futuro? No que acontecerá daqui a 2 minutos, 2 dias, 2 anos?

Ah a vida, esse labirinto, que nos conduz sempre para o mais próximo da saída, e essa saída que nunca queremos encontrar.

Esse jogo que por mais que tentamos, nunca aprendemos a jogar.

Perder? Seria fácil se todos percebesse que as perdas sempre nos trazem algo, nunca perdemos, ganhamos a cada momento, agora como encaramos essas novidades, depende de cada um.

Novidades? Todos querem, mas ninguém gosta, não estamos acostumados a mudanças, não queremos mexer no que já está bom.

Teorias, teorias, teorias, são apenas teorias, e a vida é uma pratica, por isso é tão complicada de definir.

E definir? Poucos conseguem, e quem consegue, define do seu próprio jeito, da sua própria maneira, não existe definições iguais.

São flores, são espinhos, paraíso e inferno.

E as flores que você ganha, murcharão.

E os espinhos permanecerá, o que diferencia é para qual lugar focalizaremos as nossas atenções.

E se estamos no inferno,podemos decorar conforme a nossa vontade, transformar de acordo com os nossos desejos.

Tudo na vida é diferente, seja diferente é esse o slong do mundo.

Mas o diferente é o que precisamos ter e proporcionar para as outras pessoas, no entanto, se quisermos ser aceitos precisamos ser iguais, e muitos ainda não descobriram essa diferença, entre o ter e o ser.

Precisamos aprender as diferenças das palavras e descobrir os seus significados.
Queria apenas que todos aprendessem a diferença entre conselhos e auto-ajudas, quem dá conselho se preocupa com o bem daquele que está envolvido, e não precisa de reconhecimentos, mas aqueles mestres em auto-ajudas, querem apenas os títulos, e como poderão conduzir e auxiliar na vida dos outros, se as suas próprias vidas não os pertencem?

A vida é um espetáculo.
E existe vários espetáculos, cabe a nós escolher o ingresso e decidir a peça da qual queremos
participar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Castelo de Vidro

Todos estão em frente a espelhos e só enxergam os seus próprios corpos, as suas próprias dores, os seus próprios fracassos, concentra-se nas suas angustias e querem ajuda, mas quando solicitados não podem ajudar.
Não existe mais verbos para se conjugar, o eu predomina, o eu prevalece, o eu é mais importante que o tu, que o nós, que o eles, mas esquecem que sem o tu, o nós ou o eles o eu fica invisível, solitário, reprimido.

É uma prisão coletiva, com celas individuais, não se possuem mais vizinhos, existe apenas pessoas que moram ao seu lado, não se conhecem mais o seu semelhante, as suas qualidades, os olhos críticos são apenas o que existe, os defeitos são os únicos comentados.

A sua dor é tão importante, o seu sofrimento é o mais perverso, a sua tristeza é a mais aflitiva, tudo em você é mais preocupante. Você está na fila mas não olha para trás, não enxerga outros mundos, outras vidas, é apenas o seu reflexo que reflete aquilo que você quer ver.

Você reclama do egoísmo, da corrupção, da falta de amor, mas você não dá um pão para quem te pede, não entrega o troco que te deram a mais, não olha para o andarilho. Tem mais com o que se afligir, se a oportunidade veio para que deixar fugir? Se aproveitar dos outros não é tão ruim assim. Só é horrível quando a vítima é você.

Reclama-se dos erros e neles persistem, ninguém quer a guerra mais inexplicávelmente ela existe, ninguém tem preconceito mais incompreensívelmente ele atinge. Com discursos preparados, as pessoas vivem da teoria e a sociedade da prática, funciona com os outros, mas não funciona com você.

Todos construíram castelos e nele habitam a solidão, o orgulho, a confiança, a hipocrisia, rodeados de espelhos e de covardia, enxergam apenas suas qualidades, enxergam apenas suas próprias vontades, o seu mundo, a sua imagem, são a autoridade máxima, não se permite comparações, competições. Poderoso castelo que se mancha quando outras mãos lhe tocam, que se ofuscam quando outro brilho surge. E as paredes do castelo são corbetas de vidro, o piso do castelo é feito de vidro, o teto do castelo só possuem vidros, que te fere quando você toca, pois o castelo que construísse só permite te contemplar, não existe erros, não existe falhas, existe apenas você.

Castelo de vidro que parece perfeito, mas é tão supérfluo que de nada serve, tão vazio, tão fútil, tão frágil, iguais os teus defeitos.

E se quiseres se libertar haverá que se ferir, se corte mas saia desses ecos, desses vidros destrua seus espelhos.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tudo esta confuso...

As ideias não surgem mais, e no lugar delas existe agora um imenso vazio.
Dúvidas que aparecem do nada.

Sentimentos que não se explicam, dores que não se sente.

Uma anestesia geral, que impossibilita de progredir.

Um olhar solitário, que procura encontrar algum brilho.

Pensamentos quebrados, que parecem não mais se unir.

Uma confusão que aflora no intimo da incerteza.

Tem-se a vontade, os assuntos, mas não forma-se a junção.

Um desejo de romper esse silencio que ecoa.

E a mente borbulha e trás de volta as lembranças de coisas que não se querem lembrar.

E no corpo uma falta de esperança, um olhar de desespero.

As frases repetidas, nessa rotina constante, procura um caminho diferente mas não sabe onde encontrar.

A consciência de estar perdida, procurando algum lugar.

Mas o esforço parece não trazer nenhum êxito, e os obstáculos parecem não mais ferir, e as lágrimas que apareciam com frequência não querem mais cair.

Apenas um cansaço, que não se percebe, nem se nota, apenas pode ser sentindo, no entanto é incapaz de ser decifrado.

Aprendeu-se a arte de fingir e não se pretende mais lutar.

Apenas espera, por algo que não existe identificação, inventa-se mil problemas, mil perguntas, e não encontra-se nenhuma resposta.

Momentos que são interrompidos, e perdidos, tiram o foco e ofuscam a luz, nesse imenso espaço escuro e oco.

Nada pode completar.

Um forte desejo que essas confusões contínuas, essas agonias, que passam e ressurgem cada vez mais intensas, possam desaparecer de vez.

O medo do fim faz com que ele não exista, procura-se o sossego, a tranquilidade e a paz.

Porém só se enxerga o desespero, o caos e as guerras.

A perturbação que não some, e que persegue como um inimigo que conhece cada detalhe da sua presa.

Essa falta de ordem que não pode ser definida...fica apenas na espera e torce para que esses enleios possam acabar.
Nesse mundo reciclável de ideias em que o diferente é igual, e o igual não fascina
Mostre-me o final, e me der algo variado de tudo que exista, para que eu possa entender os enigmas que não são decifráveis.
Aponte os meus erros, defina a minha solidão.
Eu apenas quero compreender e descobrir o porquê estou tão distante daquilo que hoje chamam de perfeição.

sábado, 15 de agosto de 2009

Mentiras camufladas...

Eu prometi nunca mais chorar, prometi que iria enfrentar os desafios, que sempre estaria do seu lado, que iria te ajudar, que não iria te esquecer, prometi ser eterna, ser sensível, ser forte, eu prometi ser feliz.
Torna-se um vício e as promessas são ditas sem ter a intenção de serem cumpridas, apenas faladas, como forma de alívio, mas jamais pensadas como irão ser colocadas em práticas.

Transformam-se apenas em palavras mal feitas, que são jogadas fora e ferem assim um sentimento, e então percebemos que promessas também se quebram.

São amostras grátis de mentiras, que se espera por uma realidade inalcançável, incapaz de ser possuída, sem planos, sem base, sem contrato, não se pode cobrar algo sem provas da dívida.

Engana e destroí, pois as promessas incentivam os desejos, o corpo pede, os sentimentos almejam, essa ilusão camuflada de real.

O para sempre, o eterno, o amor indestrutível, a amizade perfeita, a infantilidade de pensar que nada obterá um fim.

Pensamentos não analisados, expostos sem resultados.

E o que eu não tenho eu te prometo, te prometo por saber que não capaz de te dar, e o que eu tenho eu não capaz de me desapegar, de te entregar, de deixar de possuir.

Em promessas em me quebro, ao te prometer o que eu sei que não sou capaz de cumprir.

A mim eu prometo, aquilo que sei que não poderei ter, uma alegria insana, desejos estranhos, viver de sonhos, excluir as lágrimas, me livrar das tristezas.

Desculpe-me por não cumprir as minhas promessas, e saiba que eu te perdou por você sempre quebra-las.

Em apuros eu te prometo e em calma eu me esqueço, de que ainda devo, aquilo que te prometi.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Reluzente...

Se eu te perguntasse: "-Você é feliz?"...E você tivesse que me responder de uma maneira simples e breve, qual seria a sua resposta?

Em um hospital, uma menina esperava ansiosamente o médico para consulta-la, ele iria decidir muitas coisas e ela sabia que após sair daquela sala, iria enfrentar muitos desafios e que eles não seriam fáceis, a começar por aquele ambiente, cheia de pessoas doentes, uma cena que a deixava amedrontada e ainda mais apavorada, assustada a menina tentava se concentrar em algo bom para não demonstrar o seu desespero, e ficava perguntando-se, por que ela não poderia ser feliz como a maioria das pessoas? Por que teria que enfrentar tudo aquilo?
Para tentar esquecer um pouco a espera, ela começou a observar os outros pacientes, olhava de uma maneira tímida, e de vez em quando dava um leve sorriso para a sua acompanhante, tentando demonstrar uma calma que não existia, quando algo chama a sua atenção, ela percebe um casal, o homem dirige-se apressadamente para uma sala com a mulher e uma enfermeira, alterado com a enfermeira ele diz que ela tem que resolver o problema e que assim não poderia ficar, a menina observa tudo atentamente, o homem entra na sala, e a menina fica se perguntando o que poderia esta acontecendo? E por que ela teria que estar observando aquilo tudo? Afinal ela só queria sair dali e ser feliz.
Poucos minutos depois o homem sai da sala, mostrando um grande nervosismo, e começa a andar de um lado para o outro, passando a mão na cabeça, a menina fixa os olhos nele, ele parecia não estar notando a presença de ninguém, ele entra na sala novamente, e depois de alguns minutos sai e começa a andar perto da menina, então subitamente ele para, olha para ela e diz: "- Você é feliz... É feliz porque pode andar, pode raciocinar, tem amigos, tem uma pessoa te apoiando ai do seu lado, tem uma família, você é feliz...A minha esposa não, ela não raciocina, ela só tem a mim."

Assustada ainda com as palavras, a menina sorri levemente e diz para o homem "-Você tem razão."


Ser feliz, o estado de espírito, o sentimento que todos almejam e buscam ansiosamente, as pessoas pensam que ser feliz é não ter problemas, que ser feliz é não ter com o que se preocupar, por isso a maioria se prendem a ideias materialistas, pois acreditam que o dinheiro trará essa paz e essa felicidade, mas depois de muito buscarem esse sentimento e não obterem sucesso, algumas pessoas percebem que a felicidade não é a ausência de problemas, ser feliz é ter problemas mas ter a capacidade de raciocínio para solucionar, ter tristezas mas saber que existe amigos para consolar, sentir dores mas ter sempre uma pessoa do lado apoiando, é perder o chão mas saber que existi uma família que esta pronta para carregar e disposta a ajudar.

E a maioria das pessoas passam a vida toda procurando algo que já possuem...A felicidade nunca se esconde, ela sempre está evidente, mas nós insistimos em ignorar a sua presença.